sábado, 10 de setembro de 2016

Soneto XVIII



SONETO XVIII


Como hei de comparar-te a um dia de verão?
És muito mais amável e mais amena:
Os ventos sopram os doces botões de maio,
E o verão finda antes que possamos começá-lo:
Por vezes, o sol lança seus cálidos raios,
Ou esconde o rosto dourado sob a névoa;
E tudo que é belo um dia acaba,
Seja pelo acaso ou por sua natureza;
Mas teu eterno verão jamais se extingue,
Nem perde o frescor que só tu possuis;
Nem a Morte virá arrastar-te sob a sombra,
Quando os versos te elevarem à eternidade:

Enquanto a humanidade puder respirar e ver,
Viverá meu canto, e ele te fará viver.

Wiiliam Shakespeare

Soneto 18


Soneto 18 ~

Se te comparo a um dia de verão
És por certo mais belo e mais ameno
O vento espalha as folhas pelo chão
E o tempo do verão é bem pequeno.
Às vezes brilha o Sol em demasia
Outras vezes desmaia com frieza;
O que é belo declina num só dia,
Na terna mutação da natureza.
Mas em ti o verão será eterno,
E a beleza que tens não perderás;
Nem chegarás da morte ao triste inverno:
Nestas linhas com o tempo crescerás.
E enquanto nesta terra houver um ser

Meus versos vivos te farão viver.
William Shakespeare

Morrestes achando que amava



"Morrestes achando que
amava.
Matastes pensando que era
amor.
Dominado pelo egoísmo da
paixão,
nos fez ver que não te
conhecíamos como
deveríamos
e, por tua atitude,
demonstrou que não
conhecias o amor.
Descansem em paz."


William Shakespeare

Soneto 104


NETO 104
Para mim, bela amiga, jamais serás velha,
Pois assim como eras da primeira vez,
Ainda me pareces bela. O frio de três invernos
Ceifou das florestas o calor de três verões,
Três belas primaveras amareleceram no outono,
Eu vi, com o passar das estações,
Três perfumes de abril arderam em três quentes junhos,
Desde que te vi tão jovem ainda a preservar a juventude.
Ah, embora a beleza, mão avara,
Roube de sua imagem, e não perceba seu gesto;
Então tua doce cor, que para mim ainda é fresca,
Alterou-se, e meus olhos podem se enganar.
Por medo de que, ouve bem, envelheças intacta:
Desde que nasceste, morreu o verão da beleza.

William Shakespeare
Tradução de Thereza Christina Rocque da Motta

Soneto 47


NETO 47

Há uma união entre o que vejo e sinto,
E o bem que cada coisa verte de uma em outra:
Quando meus olhos anseiam por um olhar,
Ou o coração apaixonado, brando, a suspirar,
Meus olhos celebram a imagem do meu amor,
E, diante do banquete, se rende a minha emoção;
Em outro tempo, meus olhos se aninham ao sentimento,
E se unem aos seus pensamentos amorosos:
Então, seja por tua imagem ou pelo meu amor,
Estás, mesmo distante, sempre comigo;
Pois não corres mais do que meus pensamentos,
E estou sempre com eles, e eles, contigo;
Ou, se adormecem, a tua imagem à minha frente
Desperta meu amor para a alegria dos olhos e do coração.

William Shakespeare




Fonte 

Tradução de Thereza Christina Rocque da Motta

Soneto 14



SONETO 14


Não faço meus julgamentos pelas estrelas;
Embora conheça bem a astronomia,
Mas não para adivinhar o azar ou a sorte,
As pragas, as privações, ou as mudanças de estação;
Nem posso adivinhar o futuro próximo,
Dando a cada um a sua tormenta,
Ou dizer aos príncipes se tudo passará,
Predizendo o que apenas os céus podem trazer:
Porém, retiro a minha sabedoria de teus olhos,
E (eternas estrelas) neles entendo a sua arte,
Pois, juntos, vencerão a verdade e a beleza,
Se de teu próprio ser verteres o teu alento;
Senão, isto, eu prenunciaria:
Em ti toda a verdade e beleza findam.

William Shakespeare

Soneto 01


SONETO 1
Dentre os mais belos seres que desejamos enaltecer,
Jamais venha a rosa da beleza a fenecer,
Porém mais madura com o tempo desfaleça,
Seu suave herdeiro ostentará a sua lembrança;
Mas tu, contrito aos teus olhos claros,
Alimenta a chama de tua luz com teu próprio alento,
Atraindo a fome onde grassa a abundância;
Tu, teu próprio inimigo, és cruel demais para contigo.
Tu, que hoje és o esplendor do mundo,
Que em galhardia anuncia a primavera,
Em teu botão enterraste a tua alegria,
E, caro bugre, assim te desperdiças rindo.
Tem dó do mundo, ou sê seu glutão –
Devora o que cabe a ele, junto a ti e à tua tumba.

William Shakespeare


Tonte...
154 SONETOS
William Shakespeare
Homenagem aos 400 anos da 1a. edição (1609-2009)
Tradução de Thereza Christina Rocque da Motta
Ibis Libris (2009)

Soneto 46



SONETO 46

Meus olhos e coração travam uma guerra mortal
De como repartir entre eles a visão que têm de ti:
Meus olhos rejeitam o que meu coração vê,
Meu coração, aos meus olhos, a liberdade de te ver.
Meu coração alega ser por ele que te vejo
(Um quarto nunca visto com olhos puros),
Mas os acusados negam-lhe a autoria,
E dizem que és bela somente para eles.
A demanda, sem precedentes,
Divide as opiniões, todos reféns do coração;
E por seu veredicto se determina
A parte dos olhos claros e do doce coração –
Assim: meus olhos veem o que me mostras,
E meu coração vê apenas o teu amor.

William Shakespeare

Tradução de Thereza Christina Rocque da Motta
http://154sonetos.blogspot.com.br/