segunda-feira, 6 de junho de 2016

Soneto 22



SONETO 22




Meu espelho não me dirá que envelheço,
Enquanto tenhas a mesma idade e juventude;
Mas quando em ti vejo a essência do tempo,
Sinto que a morte expiará meus dias.
Pois, toda a beleza que viceja em ti
É apenas um prolongamento do meu coração
Que vive em teu peito, como o teu em mim:
Como, então, eu seria mais velho do que és?
Ah, então, meu amor, sê cuidadosa
Como eu, não por mim, mas por tua vontade;
Carregando teu coração, que guardarei comigo,
Como a ama protege o seu bebê querido.
Não penses em teu coração quando o meu fenecer;
Tu me deste o teu para nunca mais o devolver

Willian Shakespeare

Soneto 130



Shakespeare escreveu Shakespeare? A pergunta — quase sem sentido para os que não estudam a obra do escritor inglês— é feita desde o século XVIII, quando a autoria de peças consagradas como Hamlet, Romeu e Julieta e Macbeth foi colocada em xeque. Teria sido o filho de um comerciante de uma pequena cidade da Inglaterra o grande escritor por trás dessas obras? Ou um membro da realeza britânica? Ou, quem sabe, a própria rainha Elizabeth I? Se tal teoria da conspiração é complicada de ser resolvida, o mesmo pode-se dizer da intrincada biografia do autor.


William Shakespeare é batizado em 26 de abril de 1564 na Igreja da Santíssima Trindade, em Stratford-upon-Avon, cidade do condado de Warwickshire, no centro da Inglaterra. A certidão de batismo, escrita em latim, registra Gulielmus filius Johannes Shakespeare, ou seja: William, filho de John Shakespeare. A data de nascimento da criança não consta no documento. Especialistas apontam que o autor teria então nascido entre 21 e 24 de abril, levando em conta o costume da época de se batizar a criança poucos dias depois de seu nascimento. Popularmente, no entanto, a data apontada como a do nascimento de Shakespeare é 23 de abril, que coincide com o dia de sua morte, 52 anos depois.

O pai do garoto, John Shakespeare, é um fabricante de luvas e comerciante de lã que se torna prefeito da cidade de Stratford-upon-Avon em 1568. A mãe de William, Mary Arden, é filha de um próspero proprietário de terras de Wilmcote, vilarejo de Warwickshire. O terceiro de oito filhos, William é o primeiro a sobreviver à peste bubônica que assola a Inglaterra no século XVI e que mata suas irmãs mais velhas, Joan e Margaret, entre 1558 e 1563. Os outros irmãos são, em ordem de nascimento, Gilbert (1566), Joan (1569), Anne (1571), Richard (1574) e Edmund (1580).
(By Meire Kusumoto)

Soneto 130

Não tem olhos solares, meu amor;
Mais rubro que seus lábios é o coral;
Se neve é branca, é escura a sua cor;
E a cabeleira ao arame é igual.
Vermelha e branca é a rosa adamascada
Mas tal rosa sua face não iguala;
E há fragrância bem mais delicada
Do que a do ar que minha amante exala.
Muito gosto de ouvi-la, mesmo quando
Na música há melhor diapasão;
Nunca vi uma deusa deslizando,
Mas minha amada caminha no chão.
Mas juro que esse amor me é mais caro
Que qualquer outra à qual eu a comparo.