sábado, 22 de outubro de 2016

Soneto XVII




Soneto XVII

Se te comparo a um dia de verão
És por certo mais belo e mais ameno
O vento espalha as folhas pelo chão
E o tempo do verão é bem pequeno.
Ás vezes brilha o Sol em demasia
Outras vezes desmaia com frieza;
O que é belo declina num só dia,
Na terna mutação da natureza.
Mas em ti o verão será eterno,
E a beleza que tens não perderás;
Nem chegarás da morte ao triste inverno:
Nestas linhas com o tempo crescerás.

E enquanto nesta terra houver um ser,
Meus versos vivos te farão viver.

William Shakespeare

domingo, 16 de outubro de 2016

O Menestrel - William Shakespeare



Shakespeare sempre Fabuloso!
Ainda hoje após 400 anos de sua morte é o Bardo sempre famoso e lembrado por tanto tempo, escritor, dramaturgo e também ator das peças que ele mesmo escrevia...Morreu jovem ainda segundo consta aos 52 anos...Contudo, tudo é muito vago afinal são mais de 4 séculos de sua passagem.Presto aqui minha homenagem a esse tão grandioso escritor inglês, tido como o mais influente dramaturgo do mundo!Reconhecido como poeta nacional da Inglaterra."Bardo do Avon", um rio situado nos condados da Inglaterra.Ou simplesmente "The Bard"O Bardo.Deixou-nos um legado fabuloso 38 peças, 2 longos poemas e 154 sonetos maravilhosos!

O Menestrel - William Shakespeare

Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se. E que companhia nem sempre significa segurança. Começa a aprender que beijos não são contratos e que presentes não são promessas.
Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.
Aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.
E aprende que, não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam… E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobre que se leva anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la…
E que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.
E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida.
E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Aprende que não temos de mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam…
Percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa… por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vejamos. Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser.
Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto.
Aprende que não importa onde já chegou, mas para onde está indo… mas, se você não sabe para onde está indo, qualquer caminho serve.
Aprende que, ou você controla seus atos, ou eles o controlarão… e que ser flexível não significa ser fraco, ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem, pelo menos, dois lados. Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática.
Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se. Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.
Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens…
Poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém…
Algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo.
Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.
Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar.
Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, em vez de esperar que alguém lhe traga flores.
E você aprende que realmente pode suportar… que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida! Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar se não fosse o medo de tentar.

Soneto XXXlll


SONETO XXXIII
Já vi muitas manhãs gloriosas cobrirem
Os cumes das montanhas com o olhar soberano,
Beijando com a tez dourada o verde dos campos,
Colorindo pálidos córregos com a divina alquimia,
Não permitindo que as nuvens baixas vaguem
Com aspecto horrendo sobre a face celestial,
E do mundo distante esconder sua visagem,
Fugindo, despercebido, para o Oeste em desgraça.
Mesmo assim, meu sol brilhou cedo, um dia,
Em todo o seu esplendor triunfante sobre o cenho;
Porém, ó dor, ele apenas foi meu por uma hora –
As brumas encobriram-no totalmente agora.
Embora ele, por isso, desdenhe o meu amor;
Os sóis do mundo manterão a sua mácula.

William Shakespeare

Soneto X


SONETO X

Envergonha-te de negar que não ames,
Tu que és tão imprudente;
Aceita, se quiseres, ser amada por tantos,
Mas é certo que não ames ninguém;
Pois tens um ódio tão mortal,
Que apenas contra ti mesma não conspiras,
Buscando arruinar este nobre teto,
Que tanto desejas consertar:
Ah, muda teu pensamento que mudarei o meu!
Deve o ódio ter mais reservas do que o amor?
Sê como tua presença, gentil e graciosa;
Ou a ti, ao menos, te proves amável,

Sê outra pelo amor que tens por mim,
Para que a beleza continue a viver em ti.

William Shakespeare

Soneto XXlV




Soneto XXIV

Como um mau ator no palco,
Que, por temer, está aquém de seu papel,
Ou uma fera tomada por excesso de ira,
Cuja força abundante enfraquece o coração;
Eu, então, por desconfiar, me esqueço de celebrar
A sublime cerimônia do enlace amoroso,
E, em mim, a seu poder parece decair,
Sob o peso da força do meu amor.
Ah, deixa meu rosto verter a eloquência
E os presságios surdos de meu peito arfante,
Que anseiam pelo carinho e procuram a recompensa
Mais do que a língua que tanto o expressou.
Ah, aprende a ler o que o amor em silêncio escreveu:
Só com a pureza do amor podemos ver e compreender.

William Shakespeare

sábado, 10 de setembro de 2016

Soneto XVIII



SONETO XVIII


Como hei de comparar-te a um dia de verão?
És muito mais amável e mais amena:
Os ventos sopram os doces botões de maio,
E o verão finda antes que possamos começá-lo:
Por vezes, o sol lança seus cálidos raios,
Ou esconde o rosto dourado sob a névoa;
E tudo que é belo um dia acaba,
Seja pelo acaso ou por sua natureza;
Mas teu eterno verão jamais se extingue,
Nem perde o frescor que só tu possuis;
Nem a Morte virá arrastar-te sob a sombra,
Quando os versos te elevarem à eternidade:

Enquanto a humanidade puder respirar e ver,
Viverá meu canto, e ele te fará viver.

Wiiliam Shakespeare

Soneto 18


Soneto 18 ~

Se te comparo a um dia de verão
És por certo mais belo e mais ameno
O vento espalha as folhas pelo chão
E o tempo do verão é bem pequeno.
Às vezes brilha o Sol em demasia
Outras vezes desmaia com frieza;
O que é belo declina num só dia,
Na terna mutação da natureza.
Mas em ti o verão será eterno,
E a beleza que tens não perderás;
Nem chegarás da morte ao triste inverno:
Nestas linhas com o tempo crescerás.
E enquanto nesta terra houver um ser

Meus versos vivos te farão viver.
William Shakespeare

Morrestes achando que amava



"Morrestes achando que
amava.
Matastes pensando que era
amor.
Dominado pelo egoísmo da
paixão,
nos fez ver que não te
conhecíamos como
deveríamos
e, por tua atitude,
demonstrou que não
conhecias o amor.
Descansem em paz."


William Shakespeare

Soneto 104


NETO 104
Para mim, bela amiga, jamais serás velha,
Pois assim como eras da primeira vez,
Ainda me pareces bela. O frio de três invernos
Ceifou das florestas o calor de três verões,
Três belas primaveras amareleceram no outono,
Eu vi, com o passar das estações,
Três perfumes de abril arderam em três quentes junhos,
Desde que te vi tão jovem ainda a preservar a juventude.
Ah, embora a beleza, mão avara,
Roube de sua imagem, e não perceba seu gesto;
Então tua doce cor, que para mim ainda é fresca,
Alterou-se, e meus olhos podem se enganar.
Por medo de que, ouve bem, envelheças intacta:
Desde que nasceste, morreu o verão da beleza.

William Shakespeare
Tradução de Thereza Christina Rocque da Motta

Soneto 47


NETO 47

Há uma união entre o que vejo e sinto,
E o bem que cada coisa verte de uma em outra:
Quando meus olhos anseiam por um olhar,
Ou o coração apaixonado, brando, a suspirar,
Meus olhos celebram a imagem do meu amor,
E, diante do banquete, se rende a minha emoção;
Em outro tempo, meus olhos se aninham ao sentimento,
E se unem aos seus pensamentos amorosos:
Então, seja por tua imagem ou pelo meu amor,
Estás, mesmo distante, sempre comigo;
Pois não corres mais do que meus pensamentos,
E estou sempre com eles, e eles, contigo;
Ou, se adormecem, a tua imagem à minha frente
Desperta meu amor para a alegria dos olhos e do coração.

William Shakespeare




Fonte 

Tradução de Thereza Christina Rocque da Motta

Soneto 14



SONETO 14


Não faço meus julgamentos pelas estrelas;
Embora conheça bem a astronomia,
Mas não para adivinhar o azar ou a sorte,
As pragas, as privações, ou as mudanças de estação;
Nem posso adivinhar o futuro próximo,
Dando a cada um a sua tormenta,
Ou dizer aos príncipes se tudo passará,
Predizendo o que apenas os céus podem trazer:
Porém, retiro a minha sabedoria de teus olhos,
E (eternas estrelas) neles entendo a sua arte,
Pois, juntos, vencerão a verdade e a beleza,
Se de teu próprio ser verteres o teu alento;
Senão, isto, eu prenunciaria:
Em ti toda a verdade e beleza findam.

William Shakespeare

Soneto 01


SONETO 1
Dentre os mais belos seres que desejamos enaltecer,
Jamais venha a rosa da beleza a fenecer,
Porém mais madura com o tempo desfaleça,
Seu suave herdeiro ostentará a sua lembrança;
Mas tu, contrito aos teus olhos claros,
Alimenta a chama de tua luz com teu próprio alento,
Atraindo a fome onde grassa a abundância;
Tu, teu próprio inimigo, és cruel demais para contigo.
Tu, que hoje és o esplendor do mundo,
Que em galhardia anuncia a primavera,
Em teu botão enterraste a tua alegria,
E, caro bugre, assim te desperdiças rindo.
Tem dó do mundo, ou sê seu glutão –
Devora o que cabe a ele, junto a ti e à tua tumba.

William Shakespeare


Tonte...
154 SONETOS
William Shakespeare
Homenagem aos 400 anos da 1a. edição (1609-2009)
Tradução de Thereza Christina Rocque da Motta
Ibis Libris (2009)

Soneto 46



SONETO 46

Meus olhos e coração travam uma guerra mortal
De como repartir entre eles a visão que têm de ti:
Meus olhos rejeitam o que meu coração vê,
Meu coração, aos meus olhos, a liberdade de te ver.
Meu coração alega ser por ele que te vejo
(Um quarto nunca visto com olhos puros),
Mas os acusados negam-lhe a autoria,
E dizem que és bela somente para eles.
A demanda, sem precedentes,
Divide as opiniões, todos reféns do coração;
E por seu veredicto se determina
A parte dos olhos claros e do doce coração –
Assim: meus olhos veem o que me mostras,
E meu coração vê apenas o teu amor.

William Shakespeare

Tradução de Thereza Christina Rocque da Motta
http://154sonetos.blogspot.com.br/

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Soneto 22



SONETO 22




Meu espelho não me dirá que envelheço,
Enquanto tenhas a mesma idade e juventude;
Mas quando em ti vejo a essência do tempo,
Sinto que a morte expiará meus dias.
Pois, toda a beleza que viceja em ti
É apenas um prolongamento do meu coração
Que vive em teu peito, como o teu em mim:
Como, então, eu seria mais velho do que és?
Ah, então, meu amor, sê cuidadosa
Como eu, não por mim, mas por tua vontade;
Carregando teu coração, que guardarei comigo,
Como a ama protege o seu bebê querido.
Não penses em teu coração quando o meu fenecer;
Tu me deste o teu para nunca mais o devolver

Willian Shakespeare

Soneto 130



Shakespeare escreveu Shakespeare? A pergunta — quase sem sentido para os que não estudam a obra do escritor inglês— é feita desde o século XVIII, quando a autoria de peças consagradas como Hamlet, Romeu e Julieta e Macbeth foi colocada em xeque. Teria sido o filho de um comerciante de uma pequena cidade da Inglaterra o grande escritor por trás dessas obras? Ou um membro da realeza britânica? Ou, quem sabe, a própria rainha Elizabeth I? Se tal teoria da conspiração é complicada de ser resolvida, o mesmo pode-se dizer da intrincada biografia do autor.


William Shakespeare é batizado em 26 de abril de 1564 na Igreja da Santíssima Trindade, em Stratford-upon-Avon, cidade do condado de Warwickshire, no centro da Inglaterra. A certidão de batismo, escrita em latim, registra Gulielmus filius Johannes Shakespeare, ou seja: William, filho de John Shakespeare. A data de nascimento da criança não consta no documento. Especialistas apontam que o autor teria então nascido entre 21 e 24 de abril, levando em conta o costume da época de se batizar a criança poucos dias depois de seu nascimento. Popularmente, no entanto, a data apontada como a do nascimento de Shakespeare é 23 de abril, que coincide com o dia de sua morte, 52 anos depois.

O pai do garoto, John Shakespeare, é um fabricante de luvas e comerciante de lã que se torna prefeito da cidade de Stratford-upon-Avon em 1568. A mãe de William, Mary Arden, é filha de um próspero proprietário de terras de Wilmcote, vilarejo de Warwickshire. O terceiro de oito filhos, William é o primeiro a sobreviver à peste bubônica que assola a Inglaterra no século XVI e que mata suas irmãs mais velhas, Joan e Margaret, entre 1558 e 1563. Os outros irmãos são, em ordem de nascimento, Gilbert (1566), Joan (1569), Anne (1571), Richard (1574) e Edmund (1580).
(By Meire Kusumoto)

Soneto 130

Não tem olhos solares, meu amor;
Mais rubro que seus lábios é o coral;
Se neve é branca, é escura a sua cor;
E a cabeleira ao arame é igual.
Vermelha e branca é a rosa adamascada
Mas tal rosa sua face não iguala;
E há fragrância bem mais delicada
Do que a do ar que minha amante exala.
Muito gosto de ouvi-la, mesmo quando
Na música há melhor diapasão;
Nunca vi uma deusa deslizando,
Mas minha amada caminha no chão.
Mas juro que esse amor me é mais caro
Que qualquer outra à qual eu a comparo.

terça-feira, 24 de maio de 2016

Matéria Extraída da Revista Veja


Shakespeare, para além do mito

Meire Kusumoto

Shakespeare escreveu Shakespeare? A pergunta — quase sem sentido para os que não estudam a obra do escritor inglês— é feita desde o século XVIII, quando a autoria de peças consagradas como Hamlet, Romeu e Julieta e Macbeth foi colocada em xeque. Teria sido o filho de um comerciante de uma pequena cidade da Inglaterra o grande escritor por trás dessas obras? Ou um membro da realeza britânica? Ou, quem sabe, a própria rainha Elizabeth I? Se tal teoria da conspiração é complicada de ser resolvida, o mesmo pode-se dizer da intrincada biografia do autor.

William Shakespeare é batizado em 26 de abril de 1564 na Igreja da Santíssima Trindade, em Stratford-upon-Avon, cidade do condado de Warwickshire, no centro da Inglaterra. A certidão de batismo, escrita em latim, registra Gulielmus filius Johannes Shakespeare, ou seja: William, filho de John Shakespeare. A data de nascimento da criança não consta no documento. Especialistas apontam que o autor teria então nascido entre 21 e 24 de abril, levando em conta o costume da época de se batizar a criança poucos dias depois de seu nascimento. Popularmente, no entanto, a data apontada como a do nascimento de Shakespeare é 23 de abril, que coincide com o dia de sua morte, 52 anos depois.

O pai do garoto, John Shakespeare, é um fabricante de luvas e comerciante de lã que se torna prefeito da cidade de Stratford-upon-Avon em 1568. A mãe de William, Mary Arden, é filha de um próspero proprietário de terras de Wilmcote, vilarejo de Warwickshire. O terceiro de oito filhos, William é o primeiro a sobreviver à peste bubônica que assola a Inglaterra no século XVI e que mata suas irmãs mais velhas, Joan e Margaret, entre 1558 e 1563. Os outros irmãos são, em ordem de nascimento, Gilbert (1566), Joan (1569), Anne (1571), Richard (1574) e Edmund (1580).





O dramaturgo e poeta William Shakespeare em pintura feita para o 'Primeiro Folio', publicação que reuniu pela primeira vez todas as suas peças teatrais, em 1623 (Crédito: Hulton Archive/Getty Images)

Os primeiros anos da vida de Shakespeare são pouco documentados, o que aumenta as especulações sobre sua infância e formação. Segundo a biografia Shakespeare: The Biography (Shakespeare: A Biografia, em tradução literal), assinada pelo escritor americano Peter Ackroyd, o garoto começa sua rotina escolar com 5 ou 6 anos de idade na escola da capela da Igreja da Santíssima Trindade. O conteúdo das aulas, como se pode imaginar, está relacionado com as tradições e os rituais católicos. Aos 7, ele ingressa no colégio King Edward VI School, onde tem as primeiras lições de latim e retórica.

Casamento - A falta de documentação de duas fases da vida de Shakespeare faz com que os estudiosos do dramaturgo e escritor criem o termo “os anos perdidos” para falar dos períodos entre 1578-1582 e 1585-1592. Nos quatro anos que se seguem à formação escolar do dramaturgo, em 1578, não há registros que indiquem suas atividades pessoais e profissionais em Stratford.

Seu próximo documento é de novembro de 1582, que oficializa seu casamento com Anne Hathaway, uma mulher oito anos mais velha que ele e que carrega, com três meses de gravidez, a primeira filha do casal, Susanna.
A menina nasce em maio de 1583. Em janeiro de 1585, Shakespeare e Anne recebem a chegada de gêmeos, batizados como Hamnet e Judith. Exceto pelo fato de que Hamnet morre em agosto de 1596, aos 11 anos de idade, de causas desconhecidas, pouco se sabe sobre a vida da família.





William Shakespeare segundo gravura de 1610 (Crédito: Hulton Archive/Getty Images)


Teatro - À época da morte do filho, Shakespeare não está ao lado de Anne. Em 1592, aos 28 anos, ele vive em Londres como um ator conhecido, como indica um panfleto assinado pelo britânico Robert Greene sobre a performance de Shakespeare nos palcos. A crítica, escrita por Greene em seu leito de morte, não é nada simpática ao homem que se tornaria o dramaturgo mais conhecido de todos os tempos. No texto, Shakespeare chega a ser chamado de “corvo arrogante”, o que rende a ele um pedido de desculpas do editor de Greene, Henry Chettle, após a morte do crítico.

Entre o batizado dos filhos e o panfleto de Greene, não há documentação sobre Shakespeare. Sendo assim, não se sabe quando ele parte da pequena Stratford-upon-Avon para se aventurar sozinho na cidade grande e nem quais motivos o levam a essa mudança. Igualmente difícil é descobrir como Shakespeare decide começar a carreira no teatro, passo que se tornará decisivo em sua vida.

Uma possibilidade é a de que ele tenha sido recrutado por uma companhia itinerante de teatro ainda em Stratford, em meados da década de 1580. Segundo afirma Peter Ackroyd em Shakespeare: The Biography, entre os anos de 1583 e 1586, a cidade foi visitada por nada menos do que oito grupos teatrais, entre eles o Lord Strange’s Men e o The Queen’s Men, ambos apontados como os primeiros a receber Shakespeare.

A atuação no palco logo se torna pouco para Shakespeare, que começa a escrever as próprias peças, no final dos anos 1580, mas não as publica. Em junho de 1592, as autoridades britânicas fecham os teatros, com medo da disseminação da peste. Quando eles são reabertos, em junho de 1594, o autor está completamente absorvido pelo trabalho como um dos diretores do grupo teatral Lord Chamberlain's Men, que muda de nome para King’s Men em 1603, após a coroação do rei James I.

Obras - As primeiras publicações de obras criadas por Shakespeare acontecem entre 1593 e 1594, com os poemas líricos Vênus e Adônis e O Rapto de Lucrécia. Ao longo dos anos seguintes, o dramaturgo publica peças como Henrique VI (1594) eRomeu e Julieta (1597), que são reunidas em 1623 em um volume único, conhecido como o Primeiro Folio. Em 1599, a trupe de Shakespeare constrói o Globe Theatre, em Londres.


Pelos próximos catorze anos, o teatro se mantém como uma das principais casas de espetáculos, recebendo, inclusive, muitas das peças do autor inglês. Em 1613, durante uma apresentação de Henrique VIII, o teto de palha do local pega fogo após ser atingido pela munição de um canhão utilizado em cena. Em menos de duas horas, o Globe é destruído completamente. Ele é rapidamente reconstruído, mas é novamente demolido, dessa vez pela administração puritana inglesa, em 1644.

A ideia de recriar o Globe Theatre ressurge em 1949, após a visita do diretor e produtor americano Sam Wanamaker a Londres. O diretor morre em 1993, mas deixa o projeto encaminhado e a estrutura básica do teatro construída, algumas centenas de metros de seu lugar original. Três anos e meio depois, o Globe é finalizado e reaberto. Atualmente, a casa de espetáculos recebe não só montagens clássicas de Shakespeare, mas também peças de dramaturgos contemporâneos.





William Shakespeare em pintura do inglês Cornelius Jansen, da década de 1610 (Crédito: Hulton Archive/Getty Images)

Retorno - Com o tempo, Shakespeare se consagra como ator, diretor e dramaturgo e consegue prover uma vida confortável para sua família, que permanece em Stratford-upon-Avon. Em 1597, ele compra uma das maiores casas da cidade, próxima à capela e à escola que havia frequentado quando criança. Anos mais tarde, não se sabe ao certo quando, o dramaturgo volta para a cidade natal, onde morre de causas desconhecidas, em 23 de abril de 1616, aos 52 anos.

Com uma biografia incompleta e obras contestadas, William Shakespeare, hoje, 450 anos após seu nascimento, causa mais comoção do que controvérsia. Referência dentro da dramaturgia, seu nome ultrapassa a alcunha de um autor para se estabelecer quase como um estilo literário e teatral. Para apaziguar o drama da autoria, críticos atuais acreditam na ideia da colaboração entre escritores, prática comum que consistia na concepção de obras por múltiplos artistas, sendo Shakespeare, por exemplo, um dos colaboradores de peças como A Tragédia Espanhola, assinada por Thomas Kyd (1558-1594). São teorias que unem o fundo histórico com o reconhecimento de que, sim, Shakespeare, o simples homem de Stratford-upon-Avon, tinha algo de genial.